Por que reduzir a velocidade dos veículos na cidade?

Por que reduzir a velocidade dos veículos na cidade?

abr 8, 2013

Protocolado há mais de 20 dias, o nosso projeto de lei que pretende reduzir o limite de velocidade nas ruas da Capital já começou a abrir o debate a respeito da importância do tema. Muitas pessoas manifestaram apoio à proposta, que busca garantir mais segurança, não só a pedestres e ciclistas, mas também para motoristas e motociclistas. Por outro lado, as posições discordantes também vieram com força, o que é natural e saudável numa democracia. Entretanto, é preciso que algumas questões sejam esclarecidas para que não se passe a impressão errada do projeto apresentado pelo coletivo Marcelo Sgarbossa.

Nossa iniciativa tem como base experiências de sucesso implantadas em áreas urbanas de diversas cidades ao redor do mundo. Exemplos de cidades podem ser encontrados na Espanha, Nova Zelândia, Alemanha e Portugal. Nesses países já existe, inclusive, a implantação das chamadas Zonas 30, onde os veículos não podem ultrapassar o limite de 30km/h. No Brasil, as Z30 estão em discussão no Rio de Janeiro, em São Paulo e Ribeirão Preto (SP). Ou seja, não há nada de inédito em nossa iniciativa de propor a redução do limite de velocidade em Porto Alegre. A nossa proposta está fundamentada em uma série de estudos técnicos que levam em conta aspectos econômicos, ambientais e de saúde e qualidade de vida. Uma síntese deste material está disponível AQUI.

Nesta compilação, elencamos dados que mostram que a medida contribui para a preservação do meio ambiente, gerando menos poluição sonora, atmosférica e da água, além da economia de recursos naturais. Isto porque, trafegando mais devagar, o veículo gasta menos combustível e gera um desgaste menor nos componentes, o que também significa mais dinheiro no bolso dos motoristas.

Além disso, estudos apontam que a redução de apenas 16km/h (de 64 para 48km/h) reduz praticamente pela metade o número de mortes em caso de atropelamento de pedestres e ciclistas. Vale lembrar também que, entre 2008 e 2012, quase 39 mil pessoas foram vítimas de acidentes de trânsito na Capital, sendo que 682 morreram. Ainda que uma vida não possa ser quantificada, quem prefere olhar por outro lado sabe que isto representa um alto custo ao sistema de saúde de Porto Alegre.

O documento com o resumo dos estudos técnicos que embasaram nosso projeto de lei foi enviado à jornalista Rosane de Oliveira, de Zero Hora. Por email, ela recebeu no dia seguinte à publicação da nota (foto abaixo), veiculada na edição dominical de 24 de março, quando ela carregou nas críticas à proposta, classificada de “estapafúrdia”. Neste domingo (7/4), a colunista destacou nossa insatisfação e citou que a proposta é baseada em “estudos que mostram a relação entre velocidade e letalidade nos acidentes e no fato de várias capitais europeias terem a velocidade máxima de 50km/h no perímetro urbano e de outras adotarem o limite em 30km/h em áreas específicas”. É por esses e outros indicativos que consideramos que a redução do limite de velocidade pode trazer inúmeros benefícios aos moradores da Capital.

 

Nota publicada na coluna de Rosane de Oliveira (ZH) no dia 24 de março de 2013.

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