Famílias da antiga Vila Dique sofrem com o descaso

Famílias da antiga Vila Dique sofrem com o descaso

abr 19, 2013

A prefeitura prometeu realocar todos os moradores da Vila Dique, que fica nos arredores do aeroporto Salgado Filho. A expectativa era de que a mudança para um novo local, que deveria ter acabado em 2009, servisse para qualificar a condição vida de milhares de pessoas de baixa renda. Entretanto a realidade é bem diferente. Muitas famílias já foram para a Nova Vila Dique, mas as que ficaram sofrem com a falta de assistência à saúde, o acúmulo de lixo jogado clandestinamente no local e com a insegurança.

Na manhã desta quinta-feira (18/4), a Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), da Câmara Municipal de Porto Alegre, visitou a antiga vila para ouvir os moradores, ver os problemas e mediar uma solução para as famílias daquela região junto à prefeitura. Depois de alguns minutos no local, mais de 20 pessoas se aproximaram da comitiva e fizeram reclamações que iam desde a demora na entrega das casas até a situação de abandono do local em que vivem.

 

Comitiva da Câmara Municipal conversou com moradores (foto: Desirée Ferreira/CMPA)

 

O companheiro Paulo Guarnieri representou o Coletivo Marcelo Sgarbossa (PT). “Comprovamos que as pessoas enfrentam uma série de violações aos direitos humanos”, afirma. “Não há condições de moradia digna, pois eles moram num banhado, cheio de escombros e focos de lixo”. Além disso, os moradores que trabalham com reciclagem de resíduos não contam com um espaço para guardar os materiais recolhidos.

“Existe um grande número de crianças, mas não há posto de saúde. O único local para o atendimento fica distante. No retorno para casa, eles passam por uma via sem iluminação, o que aumenta o risco de assalto”, conta Paulo. A falta de policiamento faz com que os furtos ocorram durante o dia. “Ouvimos um relato de um trabalhador da construção civil que teve a bicicleta roubada de dentro de casa. Ele costumava pedalar, mas agora tem que pegar ônibus e leva cerca de três horas para ir e voltar do trabalho.”

Em 2005, a prefeitura começou um processo de desocupação da Vila Dique para dar andamento às obras de ampliação da pista do aeroporto Salgado Filho. Naquele ano, 1.476 famílias foram cadastradas para serem reassentadas na Nova Vila Dique. Conforme o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), 922 famílias estão com residências no Conjunto Habitacional Porto Novo, na zona Norte. As demais deverão ir até o fim de 2014. Porém, com o desmembramento de algumas famílias, aumentou a necessidade de residências. O aposentado José Jucelino de Melo, por exemplo, disse que morava na antiga Dique com três filhos. Um deles foi contemplado, mas não há previsão para os outros dois – que não foram cadastrados em 2005, pois ainda não eram casados e, portanto, faziam parte de uma mesma família. “Nos esqueceram. Estamos, faz quatro anos, nesta luta e só recebemos desculpas da prefeitura. Não queríamos sair daqui, mas vamos sair para a melhoria da cidade. Só não podemos ficar em condições piores do que as que estamos aqui”, relatou, indignado com a situação de abandono do local.