Marchezan maltrata a educação pública

Marchezan maltrata a educação pública

maio 9, 2019

Artigo de Marcelo Sgarbossa *

Em recente almoço com empresários, o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) anunciou que pretende ‘desestatizar’ tudo o que for social no Município e tratou de Parcerias Público-Privadas também no Ensino Fundamental. Primeiro precariza, depois terceiriza! Esse é o mantra da atual gestão, onde nada do que é público se reconhece: apenas se desestrutura para justificar o desmonte dos serviços, que eram reconhecidos pela qualidade.

A educação pública de Porto Alegre, que já foi referência no País, agora está sob ataque da lógica privatista. O processo de desmonte se observa desde os primeiros dias de governo Marchezan (PSDB), com a alteração de rotinas e horários das escolas, fim da gestão democrática, falta de professores e monitores, precarização da política de inclusão, desrespeito aos conselhos escolares, extinção dos projetos de formação continuada de educadores, ausência de diversos suportes pedagógicos, sucateamento das estruturas e laboratórios, insegurança, instabilidade nos serviços de limpeza prestados por empresas terceirizadas, e até escassez de alimentação escolar e descumprimento da lei dos orgânicos na merenda.

Nesse processo, se nota a intenção de repasse de recursos públicos para entidades privadas, descaracterizando a educação pública como dever do Estado e um direito da população. Essa saída simplista e irresponsável para um tema tão complexo, como é o Ensino Fundamental, deve ter consequências desastrosas para o direito à educação de qualidade. Entre elas, a de inviabilizar a articulação entre entes públicos no atendimento às diferentes necessidades de alunos e alunas, piora na qualidade da educação (Ideb), fragilização da infraestrutura e desvalorização de professores.

O que Porto Alegre precisa é de gestores responsáveis, que não repassem ao setor privado o que é obrigação do Estado e que também garantam o direito humano à educação e à cidadania. Precisa de gestores que promovam o acesso e a permanência na escola, independentemente da classe social, e com respeito à diversidade. Um gestor que promova educação integral de qualidade em toda a rede e amplie vagas na Educação Infantil eliminando o déficit. Que oferte maior acesso à Educação de Jovens e Adultos (EJA) e reduza a evasão.

Porto Alegre precisa de diálogo e valorização dos servidores concursados, considerando o acúmulo de uma rede pública capaz de construir conhecimento integrado ao território e à realidade de alunos e alunas. Precisa retomar a formação continuada de professores, repor o suporte pedagógico permanente nas escolas para aportar atendimento de qualidade para a rede, e assim retomar a vanguarda que a Capital gaúcha já exerceu nessa área.

Fortalecer a educação inclusiva é realmente se importar com a escola como um espaço de formação e transformação da sociedade. E não apenas se desobrigar da função pública de educar, repassando dinheiro para a iniciativa privada, devastando todo o saber construído na perspectiva de um ensino público, democrático e de qualidade.

Para isso, é preciso coragem e compromisso com a educação e com a cidade. E não com o repasse de recursos e responsabilidade a terceiros. Vivemos uma época de visões equivocadas, como o projeto “Escola Sem Partido”, gerador de intimidação e opressão em educadores ao tentar acabar com o pensamento crítico, que é base para a educação plural, laica e democrática. Nesse contexto, defender a escola pública de qualidade e o acesso universal ao ensino é defender o processo civilizatório, evitando retrocessos e o obscurantismo.

* Vereador e líder da Bancada do PT Porto Alegre
Publicado originalmente no jornal Sul 21

Acompanhe a série #EducaçãoMaltratada com depoimentos sobre o desmonte da educação pública promovido pela gestão Marchezan Júnior (PSDB)

A professora Isabel Medeiros – presidente do Conselho Municipal de Educação (CME) – denuncia o desmonte da rede pública.

A professora aposentada Carmem Maria Craidy alerta para os prejuízos do processo de terceirização do ensino público.

Para o professor Luiz Fernando, o projeto de Marchezan na educação afasta estudantes ao invés de estimular a juventude a participar do ambiente escolar.

A pesquisadora Eliane Bernardi ressalta a importância do diálogo com a comunidade escolar na construção de propostas para o ensino público.

O processo de privatização tira a autonomia de professoras e professores, relata a diretora da Atempa, Vládia Paz.

Monique Montano explica a importância de conhecer a realidade do ensino na periferia para poder aplicar uma proposta pedagógica que aproxime e a comunidade escolar. Confira o que diz a pesquisadora da UFRGS.

O vereador Marcelo Sgarbossa faz um alerta: Marchezan (PSDB) quer acabar com o Ensino Médio e Técnico na Escola Liberato Salzano Vieira da Cunha. Uma tradição de 65 anos na formação jovens tem que ser mantida.

A luta da comunidade surda por uma escola pública inclusiva é lembrada pela professora Andrea Ketzer Osorio. Ela alerta para o risco que corre a EMEF de Surdos Bilíngue Salomão Watnick com o processo de privatização que Marchezan tenta impor na Capital.

A falta de diálogo com educadoras e educadores de Porto Alegre é uma das críticas do professor Jardel Freitas ao governo Marchezan Júnior (PSDB).

A professora Janize Duarte explica como o projeto de terceirização de Marchezan Júnior afetará quem moram nas periferias da Capital.

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