Quem se importa com o meio ambiente?

Quem se importa com o meio ambiente?

dez 11, 2018

Artigo de Marcelo Sgarbossa   *

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, desistiu de sediar a Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 25), que ocorreria em novembro de 2019. Afirmou que não pretende assumir compromissos ambientais que impactem o agronegócio.

O recém anunciado ministro do Meio Ambiente é investigado por adulterar mapas para beneficiar empresas ligadas à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), quando era secretário da pasta em São Paulo. Este é o tom de como as políticas ambientais rumarão no próximo período no Brasil, campeão mundial de uso de agrotóxicos.

Nesse ano o planeta entrou no negativo: em agosto foi anunciado que o consumo excede a capacidade da Terra de repor os recursos consumidos. A captura dos Estados pelas elites econômicas não é recente, e se acentua com a concentração do capital, impactando diretamente o cotidiano do mundo.

Em 2017, Donald Trump tirou os EUA do acordo internacional do clima, firmado por 130 países para reduzir emissões de gases e limitar a temperatura do planeta. O poder econômico avança de forma desregrada sobre os insumos naturais, comprometendo os ecossistemas ou por excesso de exploração ou por seus resíduos e impactos. É o lucro a qualquer preço. Mesmo que custe a própria vida.

No Rio Grande do Sul, a quantidade de espécies de animais em extinção subiu de 151 para 280. A Fundação Zoobotânica foi extinta pelo governo Sartori (PMDB), e não há sinais de que a política ambiental mude de rumo com Eduardo Leite (PSDB).

Na Capital, o furor imobiliário avança sobre as poucas áreas verdes da zona Sul. E só não foram vitoriosos pela dedicada mobilização da comunidade.

No bairro Ipanema, são 12,9 hectares de mata nativa com previsão de ser substituída por edifícios que impactarão enormemente toda a região, empreendimento postergado liminarmente após forte mobilização da população local, que há duas décadas busca preservar esta área, considerada um dos últimos pulmões verdes daquela área.

Em Belém Novo, outra área verde de 426 hectares, a Fazenda do Arado Velho, movimenta a comunidade temerosa de ver a vegetação suprimida por conjuntos habitacionais que causarão forte impacto na região.

A Câmara de Vereadores aprovou a chamada Lei do Arboricídio, proposta pelo então líder do governo Marchezan (PSDB), que flexibiliza a legislação sobre cortes, podas e replantios de árvores em Porto Alegre, que já foi a capital mais arborizada e que criou a primeira Secretaria de Meio Ambiente do Brasil, agora sucateada.

Governantes em todas as esferas de poder curvam-se aos lobbys empresariais. As legislações de proteção à natureza, ao invés de serem ampliadas, são subtraídas. Essas condições adversas nos desafiam ainda mais afazer a resistência à ganância, e lutar pela preservação da natureza, que nada mais é do que a nossa própria preservação.

*  Vereador de Porto Alegre (PT)

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