O que o nosso consumo tem a ver com o planeta

O que o nosso consumo tem a ver com o planeta

jan 31, 2018

A população atual da terra vive como se tivesse os recursos de 1,6 planeta Terra. Em 2050, a  população total será de cerca de 10 bilhões de pessoas caso o ritmo de crescimento se mantenha, afirma a ONU. A economia global será 2,7 vezes maior do que hoje e chegaríamos lá precisando de 4,3 planetas Terra para sustentar nosso estilo de vida. E 2050 é logo ali.

O que os nossos hábitos tem a ver com isso e o que podemos fazer para reduzir o nosso impacto sobre o planeta?

No caso do Brasil, cuja população vive como se tivesse 1,8 planeta Terra, viver no limite seria reduzir o impacto médio total para cerca de metade do que é atualmente. Esse é o tamanho do desafio coletivo.

A designer industrial e escritora holandesa Babette Porcelijn se desafiou a buscar o que sua forma de vida gerava em impactos ao meio ambiente e compilou no livro Hidden Impact (“Impacto oculto”),  os resultados  e dicas para reduzir o impacto provocado pelas escolhas cotidianas, sem necessariamente, mudar radicalmente de hábitos, relata em recente entrevista à BBC Brasil.

Foram considerados elementos como uso da água e da terra, desmatamento, mineração e processamento de matérias-primas, esgotamento de recursos naturais, perda de biodiversidade, emissões de gases de efeito estufa, lixo e uso de combustíveis fósseis.

Mas há muitos elementos ainda a serem calculados para saber exatamente o que nossas ações provocam no clima, na natureza, na biodiversidade, em todo tipo de poluição.

Os estudos mostraram que apenas 29% do nosso impacto é visível, 71% não são evidentes, como ciclo de vida de produtos e serviços – da extração de matérias-primas, passando pelo transporte, até o descarte. Pode-se medir energia elétrica gasta para carregar nossos celulares, laptops e outros aparelhos eletrônicos, mas sabe-se pouco sobre as consequências da mineração dos metais necessários para produzi-los ou a quantidade de água utilizada nesse processo.

A principal revelação da pesquisa, é que o maior impacto ambiental não é causado exatamente pelos carros ou ar-condicionado, mas por produtos que consumimos – livros, eletrônicos, roupas, alimentos.

O primeiro passo é reduzir o impacto relativo dos nossos hábitos pessoais, por exemplo, consumindo o que realmente precisamos. É aí que cada um pode fazer a diferença.

O ideal seria viver de acordo com os limites do planeta.

Para quem quer ir mais longe há práticas para chegar ao estágio “econeutro”, que é fazer compostagem, plantar árvores, investir em energia renovável e apoiar organizações ambientais. Ou no nível “ecopositivo”,  que significa trabalhar para influenciar na mudança de hábitos em casa, no trabalho e em outros grupos, superando o impacto como consumidor.

A pesquisadora ressalta que pessoas com maior renda devem se preocupar mais com seus hábitos porque o dinheiro “compra” mais impactos.

Um dos exemplos de por onde começar é com a comida que estraga na geladeira ou  é deixada no prato. Se nada fosse desperdiçado nos alimentos, nossa pegada ecológica diminuiria cerca de 15% para comida em geral e até 17% considerando só os vegetais. Uma das dicas  é básica: consumir frutas, legumes e verduras de cada estação e procurar comprá-los de produtores locais para diminuir o impacto do transporte. Mais de um terço da comida produzida não chega ao prato. No caso das frutas, legumes e verduras, a perda chega a 50% das colheitas.

No  impacto do consumo da carne vermelha, por exemplo, é preciso levar em conta a produção de alimento para o gado e o desmatamento causado para criar o pasto. Para saber o real impacto de um carro, é necessário incluir a poluição causada pela mineração dos metais utilizados.

O impacto está em todos os produtos que consumimos e atividades que praticamos. Mas já sabemos há muito tempo que reusar, reutilizar, reciclar são verbos que fazem muita diferença para reduzir nossa “pegada ecológica”.

Podemos começar agora mudando nossos hábitos. Não há tempo a perder.

*Vereador de Porto Alegre  (PT) e vice-presidente da Federação Gaúcha de Ciclismo

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