O prefeito que maltrata a cidade

O prefeito que maltrata a cidade

jan 2, 2018

Artigo do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) *

A capital mundial da democracia participativa está sendo calada por atos e desmandos de Nelson Marchezan Júnior. O temperamento autoritário do prefeito tem trazido uma série de danos à população de Porto Alegre.

No primeiro ano no cargo, Marchezan mostrou sua forma de governar: sem diálogo, proíbe protestos por onde passa e suspende o Orçamento Participativo. Ao mesmo tempo, desmantela os conselhos municipais, desrespeita a autonomia do Legislativo, despreza servidores públicos, não paga o salário em dia, faltando com a necessária transparência sobre o dinheiro em caixa no Município.

No transporte, acabou com a segunda passagem grátis por decreto (o que conseguimos derrubar na Justiça), e quer cortar direitos de estudantes, pessoas idosas e com deficiência. Tudo para garantir o lucro das empresas, que prestam um serviço de péssima qualidade.

O estilo belicoso atinge inclusive aliados, com o prefeito destratando os próprios secretários e assessores, que chegam a pedir demissão para evitar os maus tratos.

 

 

Mudança na rotina das escolas sem conversar com a comunidade escolar, corte de vagas na Educação de Jovens e Adultos sem aviso prévio, suspensão de linhas de ônibus sem comunicar ninguém são mais algumas demonstrações do desrespeito do alcaide. Para piorar, antes de acabar o ano, conseguiu aprovar um projeto que ameaça com multa e restringe as manifestações, remetendo a práticas do nefasto período da ditadura.

Avesso ao debate, o prefeito toma medidas sem discutir com as parcelas da sociedade que serão afetadas. Envia projetos de Lei para a Câmara sem conversar com a própria base governista. Atuando como gestor de vendas, segue com a sanha privatista de liquidar o patrimônio público. Esta é a lógica de Marchezan desde que assumiu a Prefeitura. Ações que prejudicam o serviço público e a população, causam enormes transtornos ao funcionalismo e geram insegurança e incerteza sobre o futuro.

Essa instabilidade faz mal a Porto Alegre. Os 40 dias de paralisação de servidores públicos, que fizeram a maior greve da história da Capital, é resultado dessa inabilidade do prefeito. Protestos e manifestações não devem cessar em 2018, pois nada nos leva a crer que a postura adotada por Marchezan mudará. Se o prefeito insistir na terceirização de serviços e na privatização de empresas públicas como a Carris e o Dmae, que já foram modelos de qualidade, a tendência é que os conflitos na cidade se acentuem.

Em menos de um ano, a Capital percebeu que está abandonada por quem foi eleito para cuidá-la. Nosso porto ficou menos alegre.

Resistir aos retrocessos é um dever civilizatório. Um ano de fortes desafios nos aguarda. Estamos preparados para resistir e seguir trabalhando para construir uma cidade mais humana e participativa.

 

* publicado originalmente no jornal Sul 21

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