Emenda garante recursos para velódromo na Capital

Emenda garante recursos para velódromo na Capital

dez 12, 2017

Por sugestão do vereador Marcelo Sgarbossa, o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS) indicou uma emenda parlamentar no valor de R$ 250 mil. Os recursos previstos para o próximo ano são para a construção da primeira etapa de um velódromo em Porto Alegre, garantindo uma pista adequada para a prática do ciclismo.

Nesta segunda-feira (11/12), o vereador recebeu do deputado Fontana o ofício que garante a destinação das verbas, que integram o Orçamento Geral da União de 2018. “Queremos contribuir com espaços qualificados para o ciclismo, que vem crescendo e retomando um espaço que teve na Capital no início do século passado”, resgata Sgarbossa, que também é vice-presidente da Federação Gaúcha de Ciclismo (FGC).

“A falta de espaços públicos adequados para a prática do esporte é uma barreira que impede a adesão e a ampliação de praticantes na cidade. Daí a importância de se permitir maior alcance na aplicação de recursos, possibilitando investimentos em construção, reforma e manutenção de estruturas físicas”, complementa Marcelo.

 

 

O vereador ressalta que tentou aprovar, em 2016, uma emenda ao Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) para garantir recursos para construir e recuperar pistas de bicicletas na Capital. “Infelizmente, nossa proposta foi rejeitada pela base do governo”, lamenta.

Além de incentivar a prática de esporte com bicicleta, a construção de uma nova pista e a recuperação do atual Velódromo, localizado no Parque Marinha do Marinha, também beneficia a BiciEscola, que ensina jovens e adultos a pedalar,. “O uso da bicicleta e a atividade esportiva devem chegar a mais pessoas. E o Poder Público tem papel fundamental na indução da implementação de políticas públicas que incentivem práticas desportivas e a melhor qualidade de vida”, justifica Sgarbossa.

Ciclismo tem história da Capital

Atualmente, a Capital conta com apenas com um único velódromo no Parque Marinha, que não tem condições para ser usado para o treinamento de ciclistas por não atender as necessidades técnicas. A pista encontra-se em situação precária, pois carece de manutenção.

A pesquisa de Natália de Noronha Santucci sobre os velódromos esquecidos de Porto Alegre mostra que o ciclismo teve quatro fases na cidade. A primeira marcada pelas pistas dos clubes de ciclismo Blitz e União Velocipédica, quando o esporte teve sua fase áurea, até que, gradualmente, foi cedendo espaço para o futebol após 1910.

Registros na imprensa confirmam a forte disseminação e influência da bicicleta nos hábitos e na indumentária dos porto-alegrenses entre 1895 e 1905. Nesse período, a Capital gaúcha contou com, pelo menos, quatro velódromos em diferentes locais. A primeira pista para a prática do ciclismo em Porto Alegre foi inaugurada em 30 de janeiro de 1898, pela União Velocipédica. Ficava no Prado da Independência, que mais tarde seria conhecido como Hipódromo Moinhos de Vento (onde atualmente fica o Parcão). A pista em forma de elipse tinha 550 metros de terra socada.

A segunda pista da União Velocipédica foi implantada no Campo da Redenção, em 19 de novembro de 1899, próximo à atual Faculdade de Arquitetura. Depois, foi construída nova pista oval na rua da Conceição, com área de 17 mil metros, com elegante sede social, incluindo restaurante, numa época em que o ciclismo estava no auge na Capital.

Ainda em 1899, foi inaugurada outra pista, com 400 metros revestida de laje e cimento, em terreno localizado na rua Voluntários da Pátria, do grupo esportivo Blitz. Em 11 de março do ano seguinte, surgiu o novo velódromo do Recreio Militar, no bairro Cristal.

Segundo a pesquisa de Natália Santucci, as seguintes fases do ciclismo ocorreram entre 1917 e 1925, depois de 1935 a 1938, e de 1967 a meados de 1980. Após a criação do Parque Marinha do Brasil, foi construído o atual velódromo, que não apresenta condições técnicas para competições e treinamentos.

 

Velódromo do Marinha não apresenta condições para competição e treinamentos (foto: Jorge Piqué)

 

Para que a emenda ao Orçamento da União seja executada em 2018 é necessário que exista um projeto de pista adequado à prática do esporte, nesta que já é indicada como a quinta fase do ciclismo em Porto Alegre, com o crescimento dos grupos de pedal e do cicloativismo, além da implantação de ciclovias, por meio do Plano Cicloviário, que traçou quase 400 quilômetros de vias exclusivas para bicicletas na Capital.

“Mais do que fortalecer o esporte, investir no velódromo é também resgatar a memória dos antigos clubes e do velódromo do Marinha, e reativar espaços identificados com esta prática que humaniza a cidade”, observa Sgarbossa, que foi campeão gaúcho e brasileiro de ciclismo na década de 1990.

  • Natália Santucci

    Além da notícia ser boa, fiquei muito feliz ao abrir aqui e ver meu texto citado, muito obrigada!!
    Peço licença para acrescentar: o trabalho completo foi defendido como dissertação no Mestrado em História da PUCRS e pode ser acessado no repositório da universidade: http://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/9586
    Sigo coletando informações e imagens que não tive acesso durante a pesquisa, para mantê-la atualizada. Espero no futuro poder adicionar mais algumas páginas sobre o Novo Velódromo de Porto Alegre <3

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