As escolhas de Marchezan

As escolhas de Marchezan

out 13, 2017

Artigo do ver. Marcelo Sgarbossa (PT) *

 

As escolhas que fazemos dizem muito sobre nós. O prefeito Nélson Marchezan Júnior faz as suas com clareza, e mostra que a cidade e a população perdem com essas escolhas. Perdem em dignidade, cidadania e na qualidade dos serviços públicos.

Truculência, falta de diálogo, suspensão do Orçamento Participativo (OP), sucateamento da Carris e desprezo por servidoras e servidores são marcas deste primeiro ano de gestão tucana em Porto Alegre. Ataca todas as áreas e atinge em cheio uma Capital que já foi referência nacional em qualidade de vida, transparência e participação popular. Uma cidade que já foi alegre, está agora sob ataque de quem deveria cuidar dela.

A escolha mais evidente de Marchezan é pelo poder econômico: privatizar, vender, terceirizar, conceder, reduzir, retirar são os verbos favoritos dessa gestão. Tudo em detrimento do bem-estar das pessoas, especialmente as que mais precisam.

O prefeito escolhe não dialogar. Primeiro cancela o OP, processo que tornou Porto Alegre referência no mundo. Impede o debate sobre a situação da cidade, proíbe manifestações quando vai aos bairros, evita o contato franco com a comunidade, despreza e fragiliza os conselhos setoriais, espaços de aprofundamento de discussões sobre as políticas públicas.

Na Câmara, a falta de diálogo do prefeito se acentua e exacerba, a ponto de trocar o líder do governo pela imprensa. A falta de transparência é outra escolha. Até o Tribunal de Contas do Estado estranha a pouca clareza na divulgação das contas municipais no portal da Prefeitura. Dados que solicitamos formalmente, para mostrar que o parcelamento dos salários do funcionalismo é fruto de uma escolha, uma decisão política de Marchezan, já que todas as evidências indicam que o Município tem dinheiro em caixa.

 

 

Também é uma escolha do prefeito reduzir o acesso ao transporte público ao cortar a segunda passagem gratuita por decreto, ao mesmo tempo em que aumenta o valor da tarifa para garantir o lucro dos empresários. Limitar o passe estudantil e retirar benefícios de pessoas idosas e de segmentos mais carentes da sociedade são escolhas de Marchezan.

Escolhe entregar a Carris, o Dmae, o Hospital Presidente Vargas, o histórico Mercado Público, a nossa orla do Guaíba, entre outros que anuncia a cada dia a intenção de entregar à iniciativa privada. O caso da Carris é a prova da opção pelo favorecimento das empresas privadas. Uma companhia centenária que já foi exemplo de boa gestão e de credibilidade, sendo escolhida a melhor empresa de transporte público do País.

Mas Marchezan vai além: ameaça privatizar um dos maiores bens que é a água, abrindo a possibilidade da venda do Dmae na contramão do que acontece em outras grandes cidades do mundo, que reestatizaram os serviços de abastecimento e saneamento.

Desmontar a assistência social, prejudicando o atendimento das pessoas que mais precisam, com o sucateamento da Fasc, é mais uma escolha de Marchezan. Um prefeito que modifica estruturas de secretarias sem discutir com servidores. Escolhe o descaso com o meio ambiente, empurrando o licenciamento para o setor privado, descuidando o planejamento urbano e desestruturando setores importantes.

Escolhe o autoritarismo, alterando rotinas escolares sem sequer ouvir a comunidade escolar. Altera normas da alfabetização de jovens e adultos sem consultar quem atua na EJA.

Essas e outras escolhas têm consequências. A greve do funcionalismo municipal é uma resposta a tamanho descaso com a cidade. Servidoras e servidores que enfrentam este triste momento da nossa história tendo salários parcelados e convivendo diariamente com a ameaça da retirada de direitos.

São escolhas que colocam uma cidade à venda, com intolerância e truculência. Decisões tomadas em gabinete, orientadas por determinações do poder econômico, que afetam a vida de milhares de pessoas. Uma forma de governar muito distante de uma cidade mais humana, que precisa de democracia, participação e diálogo para superar as dificuldades.

Escolher é preciso. Mesmo que escolher seja se indignar, protestar e demonstrar que o rumo das coisas não faz bem para o presente e o futuro da cidade que queremos.

 

* publicado no jornal Sul Vinte Um (foto destaque: Guilherme Santos/Sul21)

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