Sustentabilidade ambiental: a distorção da agenda para servir ao mercado

Sustentabilidade ambiental: a distorção da agenda para servir ao mercado

jun 5, 2017

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, tem sido marcado mais por reflexões do que comemorações. A dúvida é quanto o planeta ainda suporta a desregrada onda consumista imposta pelo mercado capitalista. É notável que a agenda do meio ambiente e da sustentabilidade nas Administrações Públicas, independentemente das esferas, tem sido ignorada e mesmo distorcida sem qualquer conexão prática com a preservação da natureza e das futuras gerações.

Nas cidades, o conceito da sustentabilidade tem orbitado especialmente a perdas das áreas públicas livres para os espaços edificados no feroz ataque do mercado imobiliário  e na incoerência entre o uso de recursos energéticos não renováveis nas matrizes de transportes urbanos em detrimento a energias limpas, como  biocombustíveis ou fotovoltaicas que não saem do papel.

Nossos recordes de destruição já deveriam ser suficientes para uma tomada de consciência coletiva e ações para evitar o sequestro do Estado pelo capital que despreza critérios ambientais. Vale lembrar que alcançamos o recorde histórico de 400 partes por milhão (ppm) de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, resultando no aquecimento global de 2 a 6 graus e em mudanças climáticas até o final do século. Poluição e contaminação por atividades humanas, como uso do automóvel e à queima de combustíveis fósseis e destruição do habitat e das paisagens naturais pela expansão urbana são parte desse cenário triste.

E não há boas notícias no cenário atual. O presidente da maior economia do mundo, Donald Trump, revogou as políticas ambientais legadas por Obama e anunciou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o Clima. No Brasil, acaba de ser aprovada Medida Provisória que extingue as exigências ambientais para regularização fundiária e acentuará o desmatamento. No RS, o governo Sartori, tenta diminuir a proteção ambiental por decreto, extingue órgãos ambientais como a Fundação Zoobotânica, e flexibiliza o licenciamento para plantios comerciais de monoculturas. Em Porto Alegre, a Câmara rejeitou a proposta de Marchezan de transferir parte dos licenciamentos da Secretaria do Meio Ambiente para a de Desenvolvimento, dando o tom como o novo prefeito atua nesta área.  Quando elegemos dirigentes que servem ao capital estamos votando sobre as nossas vidas e a do planeta.

Preservar as conquistas obtidas com muita mobilização como a manutenção de licenciamentos ambientais minimamente adequados, com tecnologia e autonomia técnica para barrar empreendimentos impactantes e o direito à informação adequada já é algo a se comemorar. Mas mesmo isso está ameaçado neste momento triste de nossa história em que ocorrem retrocessos profundos em todas as áreas motivados pela supremacia do capital sobre o Estado, em que nem mesmo a democracia sobrevive.

O meio ambiente é o primeiro a perder nesses processos. E o sistema capitalista é indiferente a tudo e a todos. Esses são apenas alguns dos dilemas aos quais estamos expostos e que precisamos nos empenhar muito mais em resolver em nome das futuras gerações.

  • Marcelo Sgarbossa –  Vereador de Porto Alegre (PT)
show
 
close