A bicicleta faz as cidades mais humanas

A bicicleta faz as cidades mais humanas

jun 13, 2017

Artigo de Marcelo Sgarbossa, vice-presidente da FGC *

 

Para estimular o uso de bicicleta em todas as suas formas (como meio de transporte, esporte e lazer), a Federação Gaúcha de Ciclismo (FGC) vem promovendo encontros regionais pelo Estado. Reunindo pessoas que usam ou desejam utilizar a magrela, as Conferências da Bicicleta também servem de espaço para articulação de quem deseja um novo modelo de cidade, com um trânsito mais gentil e seguro para quem pedala e caminha.

É visível o fenômeno social que incluiu as bicicletas nas ruas das cidades. Além de ser um modal de transporte sustentável, reduzindo congestionamentos e evitando a poluição sonora e do ar; a bici apresenta inúmeros benefícios. No Brasil, estima-se que existam 60 milhões de bicicletas, e que metade desse montante seja usado para deslocamento ao trabalho (especialmente entre a parcela mais carente da população), tanto pela facilidade como na relação com a saúde, os efeitos positivos no combate à depressão e na redução da incidência de câncer e doenças cardiovasculares.

Por isso, a convivência respeitosa e harmônica no trânsito é um dos focos do nosso trabalho na FGC. Queremos fazer da entidade um instrumento de conscientização, levando a todo o Estado a importância do respeito à Lei do 1,5 metro, norma do Código Brasileiro de Trânsito que estabelece que condutores devem manter essa distância ao ultrapassar uma bicicleta. Muitas mortes de ciclistas por atropelamento podem ser evitadas com atitudes conscientes de motoristas. Quem pedala sabe o perigo que é levar urna “fina” no trânsito – infração prevista com multa grave.

Aprovada em 2012, a Política Nacional de Mobilidade Urbana prevê um conjunto de ações para que gestores públicos implementem iniciativas nos municípios. Vão de campanhas educativas de segurança no trânsito até a criação de ciclovias, ciclofaixas, ciclorrotas, melhorias na sinalização, para incentivar a utilização da bicicleta no meio urbano.

Assim como em outros países, a cultura carrocêntrica ainda é muito forte no Brasil. Não é de hoje que o “progresso” é associado à construção de rodovias, viadutos e outros investimentos voltados ao uso do automóvel. Isso acaba levando à falsa sensação de que as ruas são espaços exclusivos dos carros. Um modelo rodoviarista de cidade que vem sendo implantado a toque de caixa, com obras milionárias e, muitas vezes, superfaturadas em contratos com pouca transparência realizados entre empreiteiras e poder público.

Vale ressaltar que ciclistas também devem ser prudentes e atuarem de forma responsável, sinalizando as manobras e circulando de forma prudente pelas ruas. O trânsito não pode ser uma praça de guerra, mas um espaço de convívio harmonioso entre diferentes modais. A FGC quer ser uma parceira permanente do poder público e da sociedade no intuito de contribuir com propostas, sugestões e aconselhamento técnico para harmonizar esta convivência nas ruas. Só assim vamos avançar para uma distribuição mais justa e democrática do espaço público. Com informação e tolerância, cada uma e cada um de nós pode e deve contribuir para esta saudável e necessária transformação social.

 

 

* Artigo publicado no jornal Diário de Santa Maria (13/6/2017)
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