Pedestre ganha destaque na Frente Parlamentar

Pedestre ganha destaque na Frente Parlamentar

jul 12, 2013

A sala 302 da Câmara ficou pequena para tanta gente na noite desta terça-feira (9/7). Mais de 70 pessoas marcaram presença na primeira reunião de trabalho da Frente Parlamentar, instalada em 18 de junho para discutir diretrizes para a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana de Porto Alegre.

O encontro começou com uma apresentação do professor Emílio Merino, consultor do governo federal. Doutor em Engenharia Municipal e de Serviços pela Universidade Politécnica da Cataluña (Espanha), ele falou sobre a Lei Federal 12.587, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana com o objetivo de fomentar a criação de uma nova realidade e de um novo modo de vida nos centros urbanos.

 

Merino propôs uma reflexão: imaginar como estará Porto Alegre daqui a 20 anos.

 

Sobre o tema da reunião, Merino disse que só depois de definirmos qual o tipo de cidade que queremos é que temos que definir qual o modelo de mobilidade se adapta a ela. Mas para isso, é preciso pensar em cidades sustentáveis. “A sustentabilidade visa ao equilíbrio entre o socialmente desejável, o economicamente viável e o ambientalmente sustentável”. Entretanto, as administrações devem realizar projetos de longo prazo, o que não acontece. “Tenho quatro anos no cargo. Se isso vai demorar oito, então não me interessa porque não estará no meu período de governo”, comentou.

Antes de encerrar, o professor propôs uma reflexão e convidou a todos a imaginarem como estará Porto Alegre dentro de 20 anos. “O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS) significa planejar para as pessoas e com as pessoas. É a sociedade participando do processo por dentro”.

 

Mudança de paradigma

Depois da fala do professor Merino, o microfone circulou de mão em mão. Diversas pessoas apontaram problemas e sugeriram ideias para o relatório final da Frente Parlamentar, que será entregue à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

Em síntese, percebeu-se que o público presente quer uma mudança de paradigma, deixando de privilegiar o transporte individual e motorizado. Uma das críticas que surgiu foi sobre os chamados BRTs (Bus Rapid Transit). “O que dá para notar é que são BRCs: bela reforma de corredor. Porque não mudaram nada. Continuamos deixando uma faixa para o transporte coletivo e duas para o individual. Esse modelo absurdo é fadado ao fracasso”, disse um participante da reunião.

O coordenador do Balada Segura do Detran/RS, Adelto Rohr, comentou que o planejamento não funciona porque quem projeta não anda de ônibus. “Não podemos pensar no individualismo. Temos que pensar no outro. Estacionamento em via pública não poderia existir, pois é um espaço para circulação que não pode ser privatizado.”

A situação das calçadas também pontuou as manifestações. Foi lembrado que os passeios são de responsabilidade privada na Capital, enquanto que, na Europa, todos são de responsabilidade da prefeitura. O secretário municipal da Acessibilidade e Inclusão Social, Raul Cohen, destacou a importância do debate com a população. “O futuro da cidade passa por um entendimento e pela vontade de querer fazer. Para isso, não podemos estar dissociados do poder público.”

 

Lançado movimento em defesa do pedestre

O encerramento da reunião ficou a cargo do ator espanhol Gonzalo Duran, que leu um trecho do livro Morte e Vida das Grandes Cidades, de Jane Jacobs. “As cidades apresentam preocupações econômicas e sociais muito mais complicadas do que o trânsito de automóveis. Como saber qual solução dar à mobilidade antes de saber como funciona a própria cidade e de que mais ela necessita nas ruas? É impossível”, diz uma parte da obra, que pode ser lida AQUI.

Assim como propõe Jane Jacobs, Gonzalo acredita que nós podemos sonhar, “mas além de sonhar temos que nos movimentar”. “Temos que nos mexer e convidar as pessoas ao nosso redor para se mexerem também. O problema não é fácil, mas temos que começar logo, senão a história vai passar por cima da gente”, afirmou.

“A primeira conquista de cada pessoa é começar a caminhar. Ganha autonomia, o direito de ir e vir. Vamos retomar isso! Se a gente perder, estamos perdendo algo que é essencial. O que é essencial para o pedestre é essencial para o cidadão. É sendo pedestre que a pessoa começa a amar o que é ser um cidadão pleno.”

 

Gonzalo leu trecho do livro Morte e Vida das Grandes Cidades, de Jane Jacobs.

 

Nascido em Madrid, Gonzalo conheceu Porto Alegre em 1999 e definiu viver aqui a partir de 2007. Não cansa de ressaltar que é um caminhante convicto. “Sou pedestre para conhecer a cidade que os gestores não conhecem. E o que posso dizer é que percebemos que as nossas calçadas têm muitos erros”. E ainda aproveitou para fazer um convite: “A pé a gente percebe melhor o que a cidade tem. Quero convidar o povo a se juntar num movimento para defender o pedestre e garantir mais acessibilidade nas ruas e calçadas de Porto Alegre.”

Antes de o encontro terminar, o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) informou que a próxima reunião da Frente Parlamentar será no dia 13 de agosto. Antes disso, haverá uma oficina de trabalho sobre o tema pedestres e modais não-motorizados, ainda sem data definida. Acompanhe as novidades na página Cidade mais Humana no Facebook.

 

Vereador Marcelo Sgarbossa (PT) confirmou próximo encontro da Frente Parlamentar em 13 de agosto.

 

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