A falsa polêmica sobre o corte das árvores no Gasômetro

A falsa polêmica sobre o corte das árvores no Gasômetro

maio 29, 2013

No dia em que a Capital amanheceu cinza e chuvosa, a prefeitura aproveitou a madrugada para retirar os manifestantes acampados no Gasômetro e retomar o corte de árvores para as obras de duplicação da avenida Beira Rio. Na tarde desta quarta-feira (29/5), o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) subiu à tribuna para manifestar a posição do coletivo sobre a falsa polêmica que foi criada. “Teve jornal que escreveu que era ‘a obra ou elas’. Como se houvesse um impasse entre as árvores e o progresso. O que não é verdade! O debate não é esse.”

 

Vereador Marcelo Sgarbossa (PT) na tribuna da Câmara (foto: Elson Sempé Pedroso/CMPA)

 

Marcelo ressaltou que a questão central é sobre o projeto de cidade que queremos. Lembrou que, no passado, muita gente dizia que o Mercado Público e a própria Usina do Gasômetro impediam o progresso da Capital. “E hoje vemos que isso não era verdade, pois os dois prédios continuam no mesmo lugar”.

Segundo ele, diversas cidades do mundo perceberam que estavam erradas e voltaram atrás. “Já mostrei imagens aqui de Seul (Coreia do Sul), Nova Iorque e Boston (EUA), onde as auto-estradas que passavam dentro das cidades foram destruídas para abrir espaços de convivência para as pessoas”.

Na ordem de reintegração de posse, apresentada na noite desta terça-feira (28/5), a juíza alegava que a obra facilitaria a mobilidade urbana. “Não há uma manifestação técnica. A própria Justiça não entrou no mérito sobre a necessidade da obra, apenas autorizando o corte”, esclareceu. “Mesmo achando que é justificável a posição de muitas pessoas, de minha parte, não há fundamentalismo quanto à manutenção das árvores. O que acontece é que a duplicação de vias não resolve os problemas de mobilidade”.

 

Mais detalhes sobre a posição do Coletivo Marcelo Sgarbossa (PT)

O fato de o local ser um aterramento ou da vegetação ser exótica não pode servir de desculpa para os cortes, nem a urgência da Copa da Fifa. Árvores são árvores, e merecem ser protegidas sempre, salvo se estiverem violando o ecossistema. O que não é o caso.

Somos contrários à duplicação da avenida porque é uma obra caríssima e que ainda não foi justificada tecnicamente. Essa posição não é apenas nossa e de ambientalistas, mas do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS), que divulgou a nota Razões contra a duplicação da Av. Edvaldo Pereira Paiva.

Especificamente sobre a duplicação em frente à Usina, consideramos que a obra é desnecessária, pois não há congestionamento naquela região. Desafiamos os técnicos do município a comprovarem isso. Para reforçar o que afirmamos, basta assistir ao vídeo que está AQUI, gravado numa sexta-feira, fim de mês, em pleno horário de rush (18h/19h). Mostra que o trânsito no local, mesmo sendo intenso, tem fluidez. O “gargalo” só ocorre quando à sinaleira fecha para a passagem dos pedestres.

Ou seja, a prefeitura poderia implantar medidas alternativas, mais simples e baratas. Uma delas, por exemplo, é a inversão do fluxo de um lado da pista em determinados horários, como a EPTC já faz em outras áreas. Algo que pode ser feito sem custo nenhum ao Poder Público e poderia solucionar o “gargalo” que a prefeitura insiste em dizer que existe.

Por outro lado, temos a convicção de que esta obra trará vários problemas e desvantagens, especialmente aos moradores do Centro e aos que querem aproveitar o espaço da orla para lazer e a prática de esportes. Uma via duplicada, como a que está no projeto da prefeitura, vai isolar ainda mais o Guaíba da população. Além disso, a ampliação da via aumentará a velocidade média dos veículos que passam ali, gerando um risco maior à segurança de pedestres, ciclistas e motoristas.

A obra também causará maior poluição sonora e atmosférica, com o aumento do fluxo dos carros. A poluição será ainda maior em razão da remoção das árvores, pois o projeto prevê remover mais de cem espécies ADULTAS. Fato que não poderá nunca ser compensado com o plantio de novas mudas que levarão, pelo menos, três décadas para se tornarem adultas e proporcionarem as mesmas vantagens que as que estavam plantadas ali.

É por isso que acreditamos que esta obra representa mais um caso estrondoso de desperdício de dinheiro público. Recursos vultosos, que poderiam ser investidos em outras obras de mobilidade urbana mais efetivas, como a qualificação do transporte público, dos espaços para pedestres, ciclovias, etc.

(foto destaque: Renata Ibis)

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